quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Onde vou?! ... Não sei...

Quantas vezes eu te disse "eu te amo " hoje?!
...
Certo, agora quantas vezes eu e falei sobre outras pessoas importantes na minha vida como mãe, pai, irmão?!
...
Tudo bem, e quantas vezes eu te falei sobre pessoas que passaram pela minha vida nestes últimos anos?! ...
Legal...
Então porque pensar tanto no que não deveríamos pensar ou falar?! ... Eu sei que não expresso tão bem quanto eu queria, mas talvez um dia isso mude.
Eu posso retornar aos meu ssonhos antigos a qualquer momento por livre e espontânea vontade, mas no momento não me faria bem e nem tenho intenções, pois até agora eu decidi meu futuro.
bem...

Boa Sorte pra mim.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Xan


Numa tarde quente em setembro de 1988
Dois caças da força aérea brasileira cruzam o céu
Meu pai ajusta os fios que atravessam o quintal até em casa
Céu azul e reflexo do sol alaranjado
Minha mãe não chegou ainda do trabalho
Estou com meus soldados olhando o cachorro Snoopy
Ouço a Dona Enedina com o papagaio discutindo problemas sociais
e sua filha Paulinha, linda estende roupas no varal do corredor, abaixa p pegar no balde, que visão...
O corredor que segue para o portão baixo e os muros com ornamentos triangulares
da minha casa consigo ver os prédios, pra mim gigantes deuses protetores do meu futuro
Minhas roupas limpas e ganhas dos vizinhos, eu conheço bem meu passado, conheço muito bem o passado dos meus pais e sei qual foi minha herança, apenas a dignidade de continuar a crescer...
O meu pai com a fábrica de sonhos no quintal, cadeiras com ajuste e espelhos, um sofá, algumas revistas (aquelas revistas), o lavatório, a mesa com vários livros, uma caixa de som, a janela que dá para o quarto...
no quarto a estante de bambu...
A penteadeira e as gavetas com galáxias semi-novas, e anéis de saturno guardados em universos seguros... o radio relógio marca 19 horas em números quadrados... “pra onde será que vou?” é meu pensamento...
As camas, a de casal, a de solteiro, e o meu colchão no chão, é onde eu sonhava com futuros amores e casas feitas de ferro e barro, homenzinhos trabalhavam nos lençóis empurravam os carros de cima dos travesseiros, a T.V. exibia filmes de ficção e meu pai chorava pra eu não olhar, sou novo, o chão de madeira com um espaço de meio metro com uma cidade subterrânea, mal conseguia dormir com tanto barulho e poluição... acordava 7 da manhã pra assistir o movimento das sombras das paredes e telhados no quintal e o Snoopy cantando para as formigas. Aquele cheiro de verão...
As formigas caminhavam no canto das paredes em sentido ao prédio atrás do portão de madeira, imaginava essa pequena cidadezinha de anteninhas conversando entre si...
Um barulho no portão, e meus bracinhos iam em direção ao pescoço de minha salvadora mãe...
Nos natais contava luzes coloridas, ao mesmo tempo em que ouvia o som vibrante na cozinha com suas batidas vertiginosas e ainda um gosto novo por vir sobre atitudes agressivas e guerras de hormônios,
A vizinha com seus pezinhos em cima do carro de seu pai me convidava para uma brincadeira nova, onde meu coraçãozinho novo batera mais forte perto do dela... amor...
Lembro da única festa de rua, a fogueira, as comidas e bebidas, música alta e vizinhas com suas perninhas abaixo das saias pra lá e pra cá exibindo um tesouro quase escondido, pequeno eu tinha que dormir cedo...festa, onde descobriram meu defeito no jeito de falar que mais tarde foi consertado com muito esforço...
Não são segredos sobre alguém em especial,
São verdades incontestáveis
O sorriso dela me fazendo brilhar os olhos com o real amor de filho, a admiração do super-herói de jaqueta marrom com suas tesouras e pentes...
O outro pequeno que me seguia, ia onde eu ia, cantávamos juntos enquanto as partidas passavam na T.V. em preto e branco...
Noite chuvosa com muitos lagos descendo pelos ralos do quintal...
E ela arrumava a casa pra deitarmos em condições favoráveis pra uma outra brincadeira, irmã mais nova dela...
Paulinha com o mel no rosto e as espinhas, e eu sempre ria, e ela sempre apertava minhas bochechas com força...
Dona Regina prepara o café com leite e coloca na mamadeira, estou sentado no sofá apertando os dedos dos pés esperando dar a hora de ir pra escola
E ele dorme resmungando com os travesseiros
Ela me chamava de Xan...
E eu sigo em direção à escola...
E hoje não me chama mais...
Sigo em direção ao trabalho,
Estou calibrando melhor meu foguete...
E eu hoje sigo em direção à luz... ...

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Pensamentos Contínuos Realidade Matinal


Eu acordo, escovo os dentes, tomo café / "enquano ela enxuga o suor e bebe uma coca",
vou até o portão, já estou no ponto com a ruiva me olhando/ " ela fuma no banheiro, apenas de calcinha e a luz esbarra em seus pensamentos"
coloco o cartão no leitor, passo pela catraca e vou me sentar no fundo / "alguns caras ja passaram duas vezes por lá, ela quer ir embora"
chego no trabalho, tomo um café reforçado e vou pra sala / "ela pega sua bolsa, acende outro cigarro, e sai, está na avenida..."
hora do almoço saio com a minha camiseta marrom e vou comer um cachorro quente/ "ela está com fome, perto dali tem 'o carrinho do dog"
peço um, depois que acabo peço outro, tem uma loira chegando com uma bolsa azul/ "pediu um refrigerante e pediu uns canudos pro garoto de marrom"
saio, vou pra doceria comprar um chocolate e encontro um camarada / "ela come um lanche, sai e chega no ponto, dois velhos conversando param a conversa e olham pra ela"
volto pro trabalho e recebo uns emails / "ela chega em casa e assiste os programas da tarde comendo um chocolate"
6 horas, saio da minha sala, desço as escadas, vou embora com minha mochila / "ela toma banho e arruma o cabelo"
hoje mudei minha rotina, resolvi subir a pé / "ela espera o onibus, será mais uma noite longa"
chego em casa, tomo um banho, ligo a TV. está passando jornal, janto, vou dormir / ela acende mais um cigarro, seca o suor, toma uma vodka, longe do outro garçom... e as luzes rebatem seus pensamentos."